quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

REAL MADRID VENCE O KASHIMA COM FACILIDADE E SE CLASSIFICA PARA A FINAL DO MUNDIAL DE CLUBES

Bale comemora um de seus 3 gols
O Real Madrid, da Espanha, venceu na tarde de hoje (19) o Kashima Antlers, do Japão, por 3 a 1 e se classificou com facilidade para a final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa 2018. O atacante Bale marcou três vezes para o representante europeu, enquanto que o atacante Doi marcou o gol de honra para o representante asiático.

Clique aqui e veja como foi a partida!

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

RIVER PLATE PERDE NOS PÊNALTIS E AMÉRICA DO SUL PASSA NOVO FIASCO NO MUNDIAL!



Jogadores do Al Ain comemoram classificação

Pela Copa do Mundo de Clubes da Fifa, o River Plate, da Argentina, perdeu na tarde de hoje (18) para o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, o jogo da semifinal, nos pênaltis, por 5 a 4. Após um jogo nervoso, empate em 2 a 2 com gols de Berg e Caio Lucas para o time da casa, e com dois gols de Borré para os argentinos. O empate persistiu até o final da prorrogação, o que levou a disputa para as penalidades. Até o final, os dois times seguiram sem errar, quando o volante Enzo Perez desperdiçou a última cobrança, culminando com a eliminação do representante da América do Sul na competição.

Com isso, o River Plate se soma aos clubes do nosso continente que foram eliminados nas semifinais da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. O Internacional (2010) e Atlético Mineiro (2013) do Brasil, e Atlético Nacional (2016) da Colômbia foram os outros clubes que fizeram a CONMEBOL somar fiascos no mundial anteriormente. 

Clique aqui e confira como foi a partida!

Amanhã (19), é a vez do representante europeu, o Real Madrid (Espanha), entrar em campo pela outra semifinal, contra o representante da Ásia, o Kashima Antlers (Japão), no estádio Zayed Sports City, na cidade de Abu Dhabi (capital dos Emirados Árabes Unidos), às 14h30 de Brasília (13h30 aqui na Bahia). 

Clique aqui e confira a tabela da Copa do Mundo de Clubes da Fifa 2018! 

CONMEBOL SORTEIA CONFRONTOS DE SUAS COMPETIÇÕES EM 2019



Na noite de ontem (17), entre as 22h e as 0h de Brasília, a Confederação Sul-americana de Futebol (CONMEBOL) realizou em Luque, no Paraguai, os sorteios das chaves das copas Sul-americana e Libertadores para o ano de 2019.

Na Sul-americana, o destaque é para o encontro do Corinthians com o Racing, da Argentina, duelo que constitui uma revanche para o clube brasileiro, desclassificado pelo mesmo Racing nas oitavas da Sul-americana de 2017.

A Libertadores trouxe um grupo A tumultuado para a próxima edição. O atual campeão, River Plate, da Argentina, está junto com o Internacional, do Brasil, e, se as fases prévias seguirem a lógica, o também brasileiro São Paulo deverá cair nesse que será – sendo confirmada a expectativa – o grupo da morte.
Classificado para o torneio como atual campeão brasileiro, o Palmeiras também não terá vida fácil. Divide o grupo com Junior Barranquilla, atual campeão colombiano e finalista da Sul-americana deste ano, foi derrotado pelo Athlético Paranaense nos pênaltis, tendo jogado melhor do que o adversário na decisão, não conseguindo o título por muito pouco. O outro adversário do Palmeiras no grupo é o San Lorenzo, da Argentina, clube campeão da extinta Copa Mercosul, em 2001, da Sul-americana, em 2002, e também da Libertadores, em 2014.

O Cruzeiro é o que terá (teoricamente) a vida mais fácil, com três oponentes sem tanta tradição, deve ficar em primeiro no grupo, sem muitas dificuldades.

Confira as tabelas  (clique nas imagens para ampliar)







GABRIEL MEDINA CONTRARIA A TENDÊNCIA DO ESPORTE BRASILEIRO E É BICAMPEÃO MUNDIAL DE SURFE

Medina levanta troféu de Pipe Masters

Na tarde de ontem (noite aqui no Brasil), 17, Gabriel MedinaPinto Ferreira marcou seu nome na história do esporte brasileiro se tornando o primeiro atleta a conquistar duas vezes o campeonato mundial de surfe, na última etapa do circuito, em Pipe Line, no Havaí. Ao derrotar o australiano Julian Wilson por 18.43 a 16.70 (pontuações dadas por juízes após desempenho nas ondas, de acordo com executadas), Gabriel também quebrou outra marca, sendo o segundo brasileiro a vencer a etapa conhecidia como Pipe Masters  – até hoje, Adriano de Souza (Mineirinho), em 2015, era o único a conseguir o feito.
Em 2014, Medina já havia entrado para a história do surfe se tornando o primeiro brasileiro campeão mundial de surfe, derrotando, naquela ocasião, a maior lenda das ondas, o estadunidense Kelly Slater, dono de nada menos do que 11 títulos mundiais. Medina coroa, mais uma vez, uma geração de ouro do surfe brasileiro, apelidada pelos rivais de outros países como Brazilian Storm (tempestade brasileira, em inglês). 

Dos últimos cinco títulos mundiais, o Brasil venceu 3 – dois com Medina e um com Mineirinho. No mundial deste ano, o Brasil venceu nada menos que nove das onze etapas do circuito, com um arrasador aproveitamento de 81,8%, uma verdadeira surra em relação aos principais e tradicionais concorrentes – estadunidenses, australianos e havaianos.

Contrariando a tendência

Tubos perfeitos garantem título ao Brasil
Com o título de ontem, Medina contraria a tendência de descenso do esporte brasileiro no cenário mundial. A falta de maiores investimentosbaixou, segundo especialistas, o nível até do futebol, muito questionado após o 7 a 1 contra a Alemanha na Copa de2014. Medina mantém o Brasil no topo de um esporte onde até hoje éramos meros figurantes.

As vitórias brasileiras nas praias pelo mundo são fruto do esforço individual dos atletas e de suas famílias. Se não houver maior investimento e divulgação, o futuro do surfe brasileiro pode, por exemplo, acabar como o tênis, aonde não se aproveitou o surgimento de Gustavo Kuerten no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, não se investiu em evoluir a estrutura do tênis e acabou retornando à estagnação quanto ao surgimento de novos talentos capazes de vencer em torneios de Grand Slam.
 
Paolo Gutiérrez é (meio) jornalista e amante dos esportes.  

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

DICA DA SEMANA



Dois duelos movimentam o mundo da bola esta semana. Pelas semifinais da Copa do Mundo de Clubes da Fifa 2018, amanhã, terça-feira (18), o representante da América do Sul, por ter vencido a Libertadores da América este ano, o River Plate (Argentina) encara o clube anfitrião da competição, o  Al Ain (Emirados Árabes Unidos),no estádio de Hazza Bin Zayed, às 14h30, hora de Brasília.

Na quarta-feira (19), também às 14h30 de Brasília,  é a vez do representante da Europa, por ter vencido a última edição da UEFA Champions League, o Real Madrid (Espanha), encarar o representante asiático, o Kashima Antlers (Japão). Este duelo é muito aguardado por se tratar de uma revanche para os japoneses. Os dois clubes decidiram o título do Mundial de Clubes de 2016, com vitória dos espanhóis de virada na prorrogação. Naquela ocasião, a partida foi emocionante! Os japoneses chegaram a estar vencendo no tempo normal por 2 a 1, de virada, sofreram o empate e tiveram chance de marcar o gol da vitória no último lance do jogo.

Esperança de um campeão não-europeu este ano

Cristiano Ronaldo (CR7), na época atacante do time espanhol, desequilibrou a decisão com 3 gols, evitando o que quase foi um vexame histórico dos europeus na competição. Desta vez, os merengues – como são conhecidos na Espanha – passam por um momento difícil. Desde a saída de CR7 e, principalmente, do técnico Zinédine Zidane, a equipe não reencontrou seu bom futebol e tem amargado resultados negativos recentemente, chegando a estar em quarto lugar no campeonato espanhol, com apenas 60,4% de aproveitamento em 16 rodadas – em temporadas mais inspiradas, esse rendimento estaria de 70% acima.
Mesmo nas últimas partidas do Campeonato Espanhol em que obteve vitórias importantes, os merengues não desenvolveram um bom futebol, chegando a passar dificuldades com times de pouca expressão.

Isso acende a esperança de termos um campeão mundial de clubes agora em 2018 que não seja do continente europeu. Desde que a competição passou a ser organizada pela principal entidade do esporte, a Federação Internacional de Futebol (FIFA), em 2000, tivemos 14 edições da Copa do Mundode Clubes. Em apenas  4 ocasiões, o vencedor foi daqui da América do Sul – sempre brasileiros. A última vez que um não-europeu venceu a competição foi o Corinthians em 2012. De lá pra cá, a Europa venceu cinco vezes, sendo os últimos 4 títulos conquistados pelo Real Madrid, em sequência.

Apesar de ser favorito, todos os especialistas apontam para uma severa possibilidade do Real ser (finalmente) derrotado, interrompendo a hegemonia absoluta desse time e da Europa no Mundial de Clubes.       
Independente do resultado, os duelos a seguir prometem fortes emoções! Reservem os sofás e as pipocas, é a nossa dica para os duelos esta semana.

Paolo Gutiérrez é (meio) jornalista e amante do futebol.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

ATHLÉTICO PARANAENSE LEVA O BRASIL À CONQUISTA DA SULA 2018

Athlético Paranaense levanta sua 1ª taça interncional

Sabe aquela história de usar eufemismos para falar das necessidades fisiológicas básicas que fazemos no banheiro? Pois é! Ontem (12) o Athlético Paranense fez um número 2 na Arena da Baixada, em Curitiba, diante do Júnior Barranquilla da Colômbia e se sagrou, nos pênaltis, campeão da Copa Sul-americana de 2018 – apelidada carinhosamente de “Sula”. Pablo abriu o placar aos 26 minutos do primeiro tempo após roubada de bola de Pereira no ataque, que acionou Rafael Veiga, que, por sua vez, acertou um passe preciso deixando o centro-avante atleticano na cara do gol na entrada da área. Pablo bateu no canto direito do goleiro Viera, que ainda tocou na bola mas não conseguiu evitar que as redes do Jr Barranquilla balançassem.
A decisão ganhou contornos de drama quando, aos 12 minutos do segundo tempo, Barrera cobrou escanteio pela esquerda do ataque colombiano em direção ao centro da grande área athleticana e Jefferson deu uma casquinha para o cabeceio de Teo Gutierrez livre na entrada da pequena área empatar a partida. A partir daí, o time colombiano assumiu o controle do jogo e desperdiçou várias oportunidades na cara do gol. A defesa do Athlético perdeu a concentração e se enrolou em vários lances.
 
Por um triz!

Com o fim do jogo em 1 a 1, a partida foi para a prorrogação com o Athlético dando sinais de cansaço e fraqueza na partida. Seu principal atacante e autor do gol, Pablo, mancava e permanecia em campo no sacrifício. O drama aumentou quando logo aos 3 minutos do primeiro tempo da prorrogação Teo Gutiérrez acertou um lindo passe para Gonzalez sair na cara do goleiro Santos, do Athlético, pela direita da pequena área. O atacante colombiano driblou Santos, que foi obrigado a derrubá-lo para impedir o gol. Pênalti para o Júnior Barranquilla! Se fizessem o gol, os colombianos dificilmente perderiam, já que o Athlético se arrastava em campo e pouco ameaçava no ataque.

Barreira, o número 10, destaque do Júnior Barranquilla na partida, principal articulador do time, correu para a bola, bateu no alto do canto direito do goleiro Santos, que já tinha pulado para o lado contrário, sem chance de defesa e a bola vai... pra fooooooraaaa! A torcida comemorou como um gol. Olhos aguados e preces atendidas no mar rubro-negro curitibano.  A partir daí, terminava o drama grego Athleticano e começava a novela colombina. Barrera ficou tão abalado, que precisou ser substituído. Aos prantos, o jovem meia era o retrato do sentimento que tomou conta do Júnior Barranquilla a partir daí; a sensação de que o título escorregava por entre os dedos depois de chegar tão perto.

Nos pênaltis, Narvais converteu deslocando Santos o primeiro do Júnior. Jonathan empatou para o Athlético logo na sequência com cobrança segura. Fuentes correu para bola, deslocou Santos e acertou a trave esquerda do goleiro Athleticano, desperdiçando a segunda cobrança do Júnior Barranquilla e explodindo a Arena da Baixada. Um dos principais nomes do Athlético, Rafael Veiga corre para bola e converte sua penalidade, deixando o clube brasileiro na frente. Perez, por sua vez converte para os colombianos, mantendo os visitantes com chances. Bergson também confirma sua cobrança mantendo a vantagem do time da casa na disputa. Foi quando o astro do Barranquilla, centroavante matador, autor do gol de empate, Teo Gutiérrez foi para a bola e... por cima do gol! Renan Lodi poderia ter acabado com tudo, mas também perdeu, porém o Atlhético tinha ainda um gol de vantagem. O goleiro Vieira conseguiu superar Santos e empatou as cobranças, dando esperança aos colombianos. Mas Thiago Heleno acabou com o sonho do Junior Barranquilla convertendo com força e precisão a última e derradeira cobrança do Athlético Paranaense decretando por 4 a 3 nas penalidades a vitória do time brasileiro.

Dois iniciantes e um único vencedor

Era a primeira final do time colombiano em competições internacionais. Era a segunda do Athlético (em 2005 fez a final da Libertadores com o São Paulo, que acabaria se sagrando campeão daquele ano), que não desperdiçou a oportunidade e entrou para a lista dos times campeões da Sul-americana. O primeiro título internacional da história do Athlético premia um clube que trabalha para ter estrutura de time europeu em plena América do Sul, continente que vive crise crônica em seu futebol. O time tem centro de treinamento de dar inveja até a vários gigantes do Brasil e do continente. A Arena da Baixada é o único estádio do país com teto retrátil, possibilitando a realização de jogos nos dias de chuva intensa. Este ano, por exemplo, o primeiro jogo entre Boca Júniors e River Plate pela decisão da Libertadores, no estádio La Bombonera, teve que ser adiado para o dia seguinte porque as fortes chuvas do dia deixaram o gramado inviável para a partida. Se fosse o Atlhético nessa final, isso não tinha acontecido.

O título de ontem abriu chance do “Furacão” Paranaense conquistar mais duas competições internacionais, a Recopa Sul-americana, que será disputada no ano que vem com o atual campeão da Libertadores (o River Plate da Argentina), e a Copa Suruga, no Japão, contra o time vencedor da Liga Japonesa. Ontem o Athlético garantiu R$ 17 milhões como prêmio pelo título da Sula-americana. Mesmo que perca nas outras duas competições para as quais se classificou com o título de ontem, já tem assegurado mais R$ 8 milhões em premiações.

O mais europeu dos brasileiros agora tem o desafio que só os gigantes do futebol enfrentam, chegar ao nível de vencer em uma competição intercontinental. Para isso, terá que vencer uma Libertadores e chegar a um mundial de clubes. Mas isso não importa agora. Remodelando o ditado, vamos deixar pro amanhã o que não podemos fazer hoje.

O que importa agora é que, ontem, o Athlético Paranense fez o número 2 para se tornar o número um da “Sula”.

Paolo Gutiérrez é (meio) jornalista e amante do futebol.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

AS “ÔROPA” JÁ É AQUI!



Novo escudo do Athlético
Hoje, quarta (12) tem um jogaço logo mais à noite. O Atlético Paranaense, que mudou de escudo e alterou o nome – será “Athlético” Paranaense a partir de agora – decide a final da Copa Sulamericana 2018 contra o Junior Barranquilla (Colômbia), no estádio Arena da Baixada, em Curitiba, às 21h45, hora de Brasília. Há uma semana atrás, no jogo de ida, o Athlético não esteve tão bem em campo, mas, mesmo assim, empatou em 1 a 1, e agora decide em casa a segunda competição mais importante da América do Sul. Precisa vencer para se sagrar campeão. Em caso de empate, haverá prorrogação,  e, persistindo a igualdade no placar, teremos a adorável (só porque não é meu time que ta jogando) decisão por pênaltis.

Para o Athlético, ser campeão é conseguir uma premiação de aproximadamente R$ 25 milhões, classificação direta para a fase de grupos de um campeonatozinho que vai ter ai ano que vem, (ninguém menos que) a Libertadores de 2019, classificação para a decisão da Recopa Sulamericana, e ainda se classifica para a Copa Suruga, no Japão, torneio oficial realizado em jogo único contra o campeão da Copa da Liga Japonesa. O atualmente mais europeu dos brasileiros faz a sua segunda final em competições sulamericanas – em 2005 foi vice da Libertadores em disputa com o São Paulo.

Por que o “mais europeu” dos brasileiros? Este ano, o Athlético teve um técnico chamado Fernando Diniz, que tentou implementar uma filosofia de jogo na qual o time sai sempre jogando com passes, não importa o quanto o adversário pressione a saída de bola no campo de defesa – o normal é a equipe ficar acuada e, pra evitar perder a bola perto de seu próprio gol, dar um chutão pra frente.  Esse estilo de jogo é o mais comum na Europa, principalmente depois da era Guardiola à frente do Barcelona, entre 2008 e 2012. De fato, o popular chutão afasta o perigo da zaga, mas não garante a posse de bola para tentar chegar ao ataque com eficiência. Não acho errado que se copiem boas iniciativas do futebol de outros lugares e que se apliquem aqui. O problema é que isso é sintoma de uma doença do nosso futebol ganhando contornos de uma endemia, ano após ano. Perdemos o protagonismo no futebol moderno.

O Athlético está mudando de ícone na camisa. Saiu do tradicional escudo com as iniciais do clube para outro feito em detalhes simples com linhas retas grossas dispostas em um cone ao contrário, fazendo alusão a um furacão, apelido do time desde 1949. A mudança é muito similar à mudança recente que a Juventus da Itália promoveu em seu escudo – lá as retas grossas formam a letra ‘J’. Estamos deixando de criar para sermos cópias mal feitas do continente em que o futebol está evoluindo de verdade. Para além de uma semelhança de escudos. Deixamos de produzir craques no nível que produzíamos antes, o que está nos forçando a uma mudança no jeito de jogar. Estamos importando os conceitos europeus porque já não criamos conceitos próprios, nem mesmo osmoticamente pelo fato de revelarmos jogadores bons para dar e vender .

Nosso material humano caiu de nível a olhos vistos. Não vejo os atuais bons jogadores brasileiros, especialmente os que estão na Europa, no nível dos craques de gerações anteriores. Por exemplo, Gabriel Jesus, nosso último centroavante a ocupar a posição de goleador da seleção brasileira na Copa da Rússia este ano, está abaixo do nível que Careca, centroavante da seleção na Copa de 90, por muito. Phelippe Coutinho não está no nível de um Sócrates. Se a gente pegar o jogador que foi considerado o craque do Brasileirão este ano, Dudu, atacante do Palmeiras, ele não chega a algo parecido com Renato Gaucho. E por ai vamos em frente fácil. Temos algum meia no nível de Raí? No nível de Zico? No nível de Alex? Atacantes no nível de Edmundo ou Evair? De Sávio? Marcelinho Carioca? Estamos gerando algum nome da categoria de Ricardinho, César Sampaio ou Juninho Pernambucano? Temos jogadores bons, mas não estão no nível do que presenciamos na história geral do futebol brasileiro. O único que parece estar em algum patamar parecido é Neymar. E olha que só falei de jogadores antigos que não foram campeões do mundo com a seleção. Se formos perscrutar por alguém que chegue nos pés de Romário, Bebeto, Rivaldo ou Ronaldo Fenômeno, chegaremos ao patamar da frustração. Se formos falar de Rivelino, Pelé ou Garrincha então, cometeremos suicídio nos atirando do alto da sola de nossas Havaianas usadas.

Atual escudo da Juventus
Eu estou torcendo (muito!) para que o Athlético Paranaense seja campeão hoje. O Brasil está precisando reagir ao domínio da Argentina no futebol de clubes da América do Sul. O jeito do Furacão jogar me faz pensar que, nesses processo de hegemonia (assustadoramente crescente e perene) do Velho Continente em nosso amado esporte da bola chutada com os pés,  aqui já é as “Ôropa”. Não está errado clubes emergentes (e os já consolidados como grandes e gigantes também) como o Athlético buscarem a
vanguarda do futebol. Mas temos que voltar a fazer o futebol superior voltar a ser coisa da América do Sul, coisa do Brasil.

Ou investimos no esporte como se deve investir, ou não passaremos de uma imitação barata, uma “Ôropa” fazendo o papel de sombra para a Europa, hoje absoluta no futebol mundial. 

Paolo Gutiérrez é (meio) jornalista e amante do futebol.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

OS “VENCEDORES” DA AMÉRICA

O River Plate foi campeão da Copa Colonizadores... ops! Desculpem, eu e minha mania de fazer sarcasmo com o senso crítico que desenvolvi por engano ao longo da vida... quis dizer, campeão da Taça Libertadores da América de 2018, disputada no fim da tarde deste último domingo, 9. Vencedores DA América do Sul sim mas não NA América do Sul, já que a decisão foi realizada em Madrid, na Espanha, no estádio Santiago Bernabéu. O atacante Darío Benedetto abriu o placar para o Boca aos 44 minutos do primeiro tempo. Mas o River empataria a partida com belo gol de Lucas Pratto aos 23' do segundo tempo. Como empataram no jogo de ida por 2 a 2 e empataram no tempo regulamentar deste segundo jogo, a decisão foi para a prorrogação e o River marcou mais duas vezes com Quintero, aos 4' do segundo tempo da prorrogação, e com Gonzalo Martinez, no finzinho já com dois minutos de acréscimos. ÊÊÊÊ, O River ganhou! Quee bacaaana! O entusiasmo incomensurável de tão grande aqui no meu peito, essa felicidade a transbordar de tão intensa e arrebatadora de todos os meus sentidos me faz perguntar, temos de fato algo a comemorar?

Primeiramente, dizer que o resultado de 3 a 1 para o River no jogo foi merecido. O Boca foi melhor no primeiro tempo, mas errou na estratégia. Sua principal estrela, o artilheiro Benedetto, não poderia jogar toda a partida porque vem de se recuperar de uma lesão mais séria e não aguentava cumprir em alto nível os 90 minutos e eventual prorrogação. Em vez de deixá-lo no banco e colocá-lo a partir de segundo tempo, o técnico do Boca, Barros Schelotto, optou por entrar com o goleador de titular. Deu certo no primeiro tempo, o time virou para a segunda etapa vencendo por 1 a 0. Mas por volta de 20 minutos da etapa complementar, teve que substituí-lo e perdeu força de ataque para os momentos em que o Boca perdeu a superioridade no placar e precisava de gols. O técnico do River, Marcelo Gallardo, punido por não obedecer determinação de não comandar seus jogadores na semifinal contra o Grêmio – punição gerada por retornar com atraso do intervalo em jogo anterior da competição – assistiu sua comissão técnica trabalhar bem para o River dominar o jogo a partir do segundo tempo e conseguir a virada. O campeão da América do Sul de 2018 terminou com 67% de posse de bola, com 638 passes e índice 85% de acertos nesse quesito. O Boca fez 322 passes com 70% de acerto – o River teve mais do dobro de passes e estes com mais eficiência.

Mas é isso, levantou a taça deste ano o clube mais malandro de todos. O que incorreu em diversas irregularidades durante a competição e não ganhou nenhuma punição que lhe doesse de verdade. O melhor em campo nos jogos da primeira fase usando jogador irregular por vários jogos, sem qualquer sanção disciplinar. O melhor em campo contra o Grêmio, mas que seu técnico trapaceou vergonhosamente não cumprindo a determinação de não comandar seus jogadores diretamente no jogo de volta em Porto Alegre, foi punido com uma multinha que resultou em alguns sorvetes a menos em passeio com a família no próximo salário. Tudo bem, ficou de fora das finais, mas valeu a pena totalmente. Foi o melhor em campo contra o Boca na final, mas sua torcida apedrejou o ônibus do rival no jogo da volta e por um erro parecido, há três anos atrás, o mesmo Boca foi eliminado da competição, inapelavelmente – disputando mata mata com o próprio River Plate. Aqui na América do Sul vence o time que é da preferência do presidente da Confederação Sulamericana de Futebol (CONMEBOL). Alejandro Domínguez, coitado, estava ali na premiação tendo que fingir imparcialidade. Não podia nem soltar um rojãozinho para expressar a alegria pelo fruto de seu trabalho – ele que se esforçou tanto para isentar o River, acontecesse o que acontecesse.

Sobre a pergunta que eu fiz, temos algo a comemorar sim, desde que sejamos torcedores do River Plate ou se formos o presidente da CONMEBOL, como é o caso de Domínguez. E para todo o resto dos amantes do futebol, conformem-se porque nos anos que vêm tem mais! Pode esperar pelas meigas trapacinhas impunes, por mais ônibus carinhosamente apedrejados na chegada ao estádio, e até, quem sabe, se o misericordioso deus permitir, outra edição tendo que ser realizada lá no continente europeu – lá onde o pessoal sabe fazer o espetáculo de verdade. Com muita sorte, no meio disso tudo, alguém jogará algum futebol digno de apreciação.
E para os “vencedores” da América do Sul, toda a nossa torcida no Mundial de Clubes da Fifa 2018, que começa agora na quarta (12) com o superclássico planetário (se não houver apedrejamento de ônibus, maior até do que Boca e River) entre o Al Ain, dos Emirados Árabes, e o Team Wellington, da Nova Zelândia, às 13:30 horário de Brasília. Assim, o River precisa tomar cuidado porque as condições agora são adversas. Tipo, se o River marcar um gol de mão como fez na semifinal contra o Grêmio, o árbitro de vídeo da Fifa provavelmente vai anular o gol – la mano do apóstolo pode não salvar desta vez. E, se Real Madrid e River por acaso chegarem na final – o representante da América do Sul pode ficar pelo caminho como já aconteceu algumas vezes –, lá do outro lado vai ter Sérgio Ramos, aquele zagueiro que sabe uns golpes de judô da hora, capazes de tirar o principal atacante do time adversário no jogo da final e não sofrer nenhuma punição por isso.

Cuidado River Plate! Também há “vencedores” em outros continentes.

Paolo Gutiérrez é (meio) jornalista e apreciador de futebol.